Parceria – ganha x ganha ou ganha x perde?

Esse tema que vou tratar aqui é um pouco delicado, e já sofri bastante com isso. É a questão da famosa “Vamos fazer uma parceria?”. Se tem uma palavra que eu escuto semanalmente é “parceria”. “O Fernando, gostei muito do seu trabalho, vamos fazer uma parceria?”. Qual o conceito de parceria hoje em dia? Talvez a palavra pelo uso excessivo já tenha até se tornado um sentido pejorativo para quem a escuta. Na minha concepção de parceria, hoje temos alguns tipos: a ganha-ganha e perde-perde ou ganha-perde. Na primeira opção, quando um membro da parceria ganha, o outro também ganha ou pode também não dar tão certo quanto planejado, ou seja, se perder, todos perdem. Mas a segunda opção é a que mais acontece, quando um ganha o outro perde.

Acontece que a ganância no meio corporativo acaba sendo muito grande e a palavra parceira acaba sendo usada indevidamente para barganhar no valor de sua produção. O “cliente” te promete muitas coisas caso você feche por um valor inferior aquele que você ofereceu: mais clientes, visibilidade, portfólio, etc. A grande maioria das vezes, essas “parcerias”, você acaba trabalhando de graça e não tendo retorno algum.

Como “fugir” então das propostas “indecentes”?

1) Primeiro faça uma leitura da pessoa e da empresa que está propondo a parceria. Qual o público que ela atende, quais são os clientes, se a empresa aparenta ser saudável na questão financeira, confira a popularidade nas redes sociais (facebook, youtube, reclame aqui). Só nessa primeira leitura você já pode perceber se você está entrando numa furada ou não.

2) Exija uma contrapartida. O que você ganha? Outros clientes? Se for isso como ele vai te garantir isso? Através de indicações? Ou então ele está propondo mais visibilidade para sua empresa, e como ficaria isso? Posts programados no facebook e instagram? Indicações através das redes sociais? Pode até ser que a proposta de parceria envolva um retorno financeiro. É importante definir todas essas questões antes de fechar a parceria.

3) Estipule um período de tempo. Evite entrar numa parceria eterna onde você se arrepende e depois não consegue se livrar e você acaba tendo o maior prejuízo. Você pode fazer mensalmente se for o caso e ir renovando a cada mês. Dessa maneira você pode fazer uma avaliação dessa nova parceria e ver se está compensando ou não.

4) Faça um contrato para essa parceria, colocando o serviço que você irá prestar e como o cliente irá retribuir. Se isso espantar o cliente, tenha certeza que você se livrou de uma fria.

5) Valorize o seu trabalho. O seu trabalho é o seu sustento. Você precisa dele para crescer e se desenvolver, principalmente financeiramente. Hoje vivemos em uma realidade onde as contas não param de chegar e trabalhar com produção de vídeo ainda custa dinheiro. Os equipamentos não são baratos e manutenção também não.

Quando você ouvir novamente a palavra parceria, seja extremamente pragmático. Preto no branco. Se a proposta vem do seu cliente, faça-o colocar todas as cartas na mesa. Exija transparência. E seja também transparente. E após toda avaliação que você fizer, veja se a parceira vale a pena ou se deve ser rejeitada. A parceria se der prejuízo, deve dar prejuízo para ambas as partes, se der certo, todos ganham. Uma das partes não pode ser onerada em detrimento da outra.

Espero que esse breve artigo te ajude na construção de novas parcerias assim como tem me ajudado.